Fundador, Dr. Thomas E. Lovejoy

Conhecido como o “Padrinho da biodiversidade”, o Dr. Thomas E. Lovejoy é reconhecido mundialmente como campeão dos esforços de conservação global e das pesquisas em biologia da conservação fundamentadas na ciência. Deve-se a ele ter tornado o problema global do desmatamento das florestas tropicais uma questão pública, tendo sido a primeira pessoa a usar o termo “diversidade biológica” em 1980 (juntamente com Edward O. Wilson).

Lovejoy foi diretor do programa do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), dos Estados Unidos, de 1973 a 1987, tendo sido responsável pela orientação científica a respeito das florestas tropicais do hemisfério ocidental. De 1985 a 1987, foi vice-presidente executivo do Fundo.

Em 1982, Lovejoy fundou a série da televisão pública Nature, e durante muitos anos foi seu principal conselheiro. Esse programa é a série de longa duração mais popular da televisão pública nos Estados Unidos.

Em 1984, Lovejoy criou o conceito inovador de swaps de dívida por natureza, ou seja, a conversão de dívida externa em projetos de conservação. Graças a esse mecanismo, até hoje, mais de três bilhões de dólares em fundos de conservação se tornaram disponíveis para projetos na Bolívia, Costa Rica, Equador, Filipinas, Jamaica, Madagascar e Zâmbia, entre muitos outros.

Em 1987, Lovejoy foi nomeado secretário assistente para Assuntos Ambientais e Externos do Instituto Smithsonian. Como tal, supervisionava os programas para associados, a publicação Smithsonian Magazine, a editora Smithsonian Press, o Escritório de Relações Governamentais, o Escritório de Desenvolvimento, o Escritório de Telecomunicações, o Escritório de Relações Internacionais e o Centro de Recepção e Informação dos Visitantes. De 1994 a 2000, ocupou o cargo de conselheiro do secretário para Assuntos Ambientais e de Biodiversidade do Smithsonian. Até hoje, mantém uma ligação com a instituição como pesquisador associado do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical.

Em 1988, Lovejoy serviu um breve período no Comitê de Recursos Naturais e Meio Ambiente (CENR, da sigla em inglês), do Escritório Executivo do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC, da sigla em inglês) da Presidência. Já foi também presidente do American Institute of Biological Sciences (Instituto Americano de Ciências Biológicas), diretor do Programa do Homem e da Biosfera dos Estados Unidos, e presidente da Society for Conservation Biology (Sociedade para a Biologia da Conservação).

Em 1993, foi escolhido para ser conselheiro científico do Secretário do Interior dos Estados Unidos. Entre outras responsabilidades, participou da coordenação da nova agência chamada National Biological Survey (Levantamento Biológico Nacional). Serviu como conselheiro científico do diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente de 1994 a 1997.

Em 1998, foi nomeado conselheiro chefe de Biodiversidade do Banco Mundial, bem como especialista principal em meio ambiente para a região da América Latina.

Em 2001, tornou-se conselheiro sênior do Presidente da Fundação das Nações Unidas (criada por Ted Turner e com sede em Washington).Em 2014, foi nomeado membro sênior da Fundação da ONU.

De 2002 a 2008, foi presidente do Centro H. John Heinz III de Ciência, Economia e Meio Ambiente, instituição sem fins de lucro dedicada ao aperfeiçoamento dos fundamentos científicos e econômicos das políticas públicas ambientais por meio da colaboração multissetorial entre indústria, governo, acadêmicos e organizações ambientais. Em 2008, assumiu a direção de Biodiversidade do Heinz Center até que a organização foi fechada em 2013.

Em 2008, tornou-se presidente do Painel Consultivo Científico e Técnico (STAP, na sigla em inglês) do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF, na sigla em inglês) até junho de 2013. O GEF é a maior fonte internacional de financiamento ambiental. Hoje, ele serve como conselheiro especial do atual presidente do STAP.

Em 2009, foi nomeado fellow de Conservação pela National Geographic Society (NGS). Em 2017, a NGS o nomeou conselheiro científico do seu cientista-chefe.

Em 2010, Dr. Lovejoy foi eleito professor do Departamento de Ciência e Política Ambiental da Universidade George Mason.  Ele também atua como Senior Fellow na United Nations Foundation.

Biólogo com formação em biologia tropical e de conservação, tem trabalhado na Amazônia brasileira desde 1965. Sua tese de doutorado em 1971 introduziu no Brasil a técnica de anilhamento e identificou padrões de estrutura comunitária no primeiro estudo de longo prazo de pássaros na Amazônia.

Concebeu a ideia do projeto de tamanho mínimo crítico dos ecossistemas, conhecido agora como o Amazon Biodiversity Center (www.amazonbiodiversitycenter.org), ou Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais. O projeto foi fundado em 1978 como pesquisa colaborativa entre o Smithsonian e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, INPA, do Brasil. O programa, considerado peça central da nova e emergente disciplina da biologia da conservação, é essencialmente um enorme experimento com o objetivo de definir o menor tamanho para os parques nacionais e as reservas biológicas, assim como estratégias de gestão para áreas de conservação menores.

Por seu trabalho e pelas inúmeras iniciativas de conservação no Brasil, Thomas Lovejoy foi condecorado pelo governo brasileiro em 1988, sendo o primeiro ambientalista a receber a Ordem do Rio Branco. Em 1998, o Brasil concedeu-lhe a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico. Em abril de 2001, recebeu o Prêmio John & Alice Tyler por Realizações Ambientais. Em 2002, recebeu o Prêmio Lindbergh pelo trabalho dedicado ao equilíbrio entre o avanço da tecnologia e a preservação do meio ambiente. Em 2008, recebeu o prêmio Fundação BBVA Fronteira do Conhecimento em Ecologia e Biologia da Conservação. Em 2012, recebeu o Prêmio Planeta Azul.

Em 2016, Lovejoy foi indicado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como enviado científico, viajando pelo Brasil, Peru, Colômbia, Indonésia e Malásia com o objetivo de congregar as autoridades desses países em torno de políticas que pudessem proteger e gerir florestas tropicais como ecossistemas integrados além das fronteiras de seus países.

Lovejoy é membro de vários conselhos diretores e grupos de assessoria científicos e de conservação, entre eles: Jardim Botânico de Nova York, Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas, Zoológico Nacional (inclusive do Instituto de Biologia da Conservação do Smithsonian), Eco-Health Alliance e Centro de Pesquisas Woods Hole. Durante muitos anos foi presidente do Conselho Consultivo Externo do Instituto Yale de Estudos da Biosfera e continua a servir como seu membro. É fellow da Associação Americana para o Avanço da Ciência, da Academia Americana de Artes e Ciências, da Sociedade Filosófica Americana, da Linnaean Society de Londres, e da União Americana de Ornitólogos.

É autor de inúmeros artigos e autor ou editor de cinco livros, entre eles: Key Environments: Amazonia, com G.T. Prance; Global Warming and Biological Diversity (Yale University Press), com R.L. Peters; Ecology, Conservation and Management of Southeast Asian Rainforests (Yale University Press), com R.O. Bierregaard, Jr., C. Gascon e R. Mesquita; Climate Change and Biodiversity (Yale University Press), com Lee Hannah. O manuscrito de Changing the Biosphere (também com Lee Hannah) foi apresentado em julho de 2016 à Yale University Press para publicação futura.

Thomas Lovejoy fez seu bacharelado e doutorado em biologia na Yale University.